quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Minas Gerais tem mais de 700 focos de incêndio em dois dias

Número de ocorrências, até agora, é maior do que o dobro do ano passado. Estado é o que tem mais focos de queimadas no Brasil.

As queimadas se espalham sem controle pelo Brasil afora. Minas Gerais é o estado que tem o maior número de focos. Só nos últimos dois dias foram mais de 700 focos. O número de ocorrências, até agora, é maior do que o dobro do ano passado.
Parece neblina, mas é pura fumaça. De uma semana para cá, 4 mil hectares do Parque Estadual da Serra do Papagaio, no Sul de Minas, já foram destruídos pelas chamas.
“Muito rápido. Quando a gente chega no local já queimou uma área muito grande”, diz um bombeiro.
Incêndios florestais se alastraram para áreas de pastagens e plantações na região da Serra da Canastra, também no sul de Minas. A casa do agricultor Dilson Braz da Silva quase foi atingida. “Teve que batalhar aí mesmo noite inteira aí para ver se livra a casa, pelo menos a casa. O resto queimou mesmo”, conta o produtor rural.
O fogo já dura três dias. “O povo, os vizinhos estão acudindo. Os meninos estão sem comer, sem dormir”, lamenta a produtora rural Eloísa Carvalho.
Na Serra do Cantagalo, brigadistas e voluntários se uniram aos bombeiros para ajudar a combater o incêndio na mata. “Cheio de casa. Bicho que choca nesse tempo, às vezes”, conta um homem.
Na Reserva do Panga, no Triângulo Mineiro, as chamas chegaram a quatro metros de altura. “Pela localização do terreno, ser em local de difícil acesso, aí, não teve muita coisa a fazer”, afirma o segurança Adriano Martins
O fogo também ameaça cidades históricas. A Igreja Matriz de Pitangui, no centro-oeste do estado, quase sumiu no meio da fumaça.
Um levantamento mostra que Minas Gerais teve mais de 700 focos de incêndio nas últimas 48 horas, a maior incidência em todo o país. Minas também é o estado com o maior número de ocorrências em unidades de conservação.
Em uma área de mata, vizinha a um parque estadual na região metropolitana de Belo Horizonte, bombeiros e brigadistas foram acionados três vezes nos últimos três dias.
As equipes só deixam o local depois do chamado trabalho de rescaldo, quando há certeza de que o fogo foi completamente apagado. Como as chamas ressurgiram em pontos diferentes, inclusive à noite, os moradores passaram a suspeitar de incêndios criminosos.
“A gente já conseguiu deter algumas pessoas, infratores, colocando fogo. Mas fica difícil, porque quando está nessa região, não tem nenhuma testemunha que possa testemunhar os fatos para gente poder incriminar”, diz José Roberto Quintino, bombeiro.

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